Funarte apresenta
De 6 de agosto a 30 de novembro - Ocupação do Teatro Cacilda Becker

Transitório | A Dança Flamenca e a Dança Contemporânea

Dia 8 de Outubro

19h horas

Conversa sobre o flamenco hoje e seus possíveis diálogos com as convidadas Denise Stutz e Luciana Ponso com mediação de Mariana Patrício Fernandes. A proposta é discutir o lugar híbrido do flamenco entre uma dança contemporânea e uma dança dita “regional” e as novas vertentes artísticas que surgem inspiradas na linguagem flamenca que a deslocam de seu lugar tradicional (tablados do sul da Espanha) desconstruindo e recriando corporal e cenicamente a relação entre dança, expressão e território.

Dias 9, 10, 11, às 20h e dia 12, às 19h

TRANSITÓRIO/ Release

Transitório dá prosseguimento à nossa pesquisa corporal e musical. Os músicos e as bailarinas participam juntos da cena: tudo é música, os personagens são os instrumentos dançados e tocados. A idéia foi criar um jogo de pontos-de-vista onde todos os elementos se misturam, bailarinas, músicos, espectadores e objetos.A dança ocupa diferentes lugares do espaço cênico, e propõe uma exploração das relações possíveis entre todos os participantes: Neste jogo de pontos-de-vista, que criam novos espaços e novas temporalidades, buscamos convergir para uma experiência comum. Uma cena que transita da rapidez da vida atual que gira ao redor de nós para a calma que nos permite deitar entre luminárias infantis e só olhar para o teto. Um espetáculo em trânsito.

A idéia de transitório veio do poema A solidão e sua porta de Carlos Pena Filho:

Quando mais nada resistir que valha
a pena de viver e a dor de amar
E quando nada mais interessar,
(nem o torpor do sono que se espalha).
Quando, pelo desuso da navalha
a barba livremente caminhar
e até Deus em silêncio se afastar
deixando-te sozinho na batalha
a arquitetar na sombra a despedida
do mundo que te foi contraditório,
lembra-te que afinal te resta a vida
com tudo que é insolvente e provisório
e de que ainda tens uma saída:
entrar no acaso e amar o transitório.

É libertador pensar que podemos as vezes sair de uma situação aparentemente indissolúvel entrando no acaso. A partir disso as estruturas da cena se estabelecem e se dissolvem. Abrimos também espaço para improvisos. A cena foi construída a partir de uma descontinuidade temporal e espacial.
A escolha do repertório foi feita da vontade de falar outras línguas…Allan compôs duas músicas instrumentais pensando em leveza, ao contrário disso o bloco central de músicas foi pensado como um mergulho no trágico… o excesso e os clichês que lembram a Espanha de Almodóvar em Ne me quitte pas e ao mesmo tempo a tristeza do Autonomia de Cartola.

Algumas referências e homenagens: Cássia Eller (que gravou Nós), Sidney Magal e a cigana Sandra Rosa Madalena, que descobrimos que alguns de nós imitávamos na infância (e desconfio que pode ter nos levado ao flamenco) e Camarón de la isla com Leyenda del Tiempo que foi uma música revolucionária pro flamenco na década de 70.

Dias 10, 11 e 12

De 14h às 17:30h, oficina para atores e bailarinos

O flamenco como ferramenta de criação nas artes cênicas

Oficina com o grupo Toca Madera a partir da experiência de Clara Kutner e Eliane Carvalho no trabalho que ambas desenvolvem em dança e teatro como bailarinas, diretoras ou preparadoras corporais. A idéia é ampliar a pesquisa que vem sendo feita no trabalho do grupo na criação de seus espetáculos. Assim serão 3 dias de exercícios de técnica e de improvisação com dança e música.

Máximo 26 participantes

Transitório Ficha Técnica

Direção CLARA KUTNER
Bailarinas ELIANE CARVALHO e CLARA KUTNER
Direção musical e guitarra flamenca ALLAN HARBAS
Percussão ALEJO GONZALEZ
Acordeon JOÃO BITTENCOURT
Guitarra flamenca e baixo LUCIANO CÂMARA E SERGIO OTERO
Violoncelo MARIA CLARA VALLE
Voz ANA BAYER